O Sinditamaraty participou, nesta terça-feira (19), do seminário “Serviço Público e Questões de Gênero: Enfrentando Discriminações”, promovido pela ANFFA Sindical, no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O evento reuniu representantes sindicais e servidoras e servidores públicos para debater desafios estruturais relacionados ao assédio, à discriminação e à desigualdade de gênero no serviço público.
Representando o sindicato, a presidente do Sinditamaraty, Gabriela Perfeito, compartilhou experiências da atuação da entidade no enfrentamento ao assédio e destacou a importância da ampliação da presença feminina em espaços de liderança.
“Quanto mais plural e diversas lideranças no serviço público, menos assédio acontece. A maioria dos espaços públicos de liderança são ocupados por homens e, quanto menor a participação feminina, menor o poder de decisão no serviço público”, afirmou.
Durante sua fala, Gabriela ressaltou que a participação das mulheres nos espaços de decisão contribui para incorporar perspectivas femininas às negociações e políticas institucionais. Segundo ela, os sindicatos desempenham papel fundamental na produção de dados, formulação de diagnósticos e fortalecimento das pautas de igualdade e equidade.
A presidente também destacou que o assédio não pode ser tratado como um problema individual. “Não existe assédio entre duas pessoas. Ele ocorre porque o ambiente é permissivo”, apontou. Ela citou dados da pesquisa do DataSenado, segundo os quais 24% das mulheres entrevistadas afirmam que o ambiente de trabalho é o local onde menos se sentem respeitadas.
Gabriela defendeu ainda o fortalecimento de mecanismos institucionais de negociação coletiva com perspectiva de igualdade e equidade, ressaltando a importância das mesas setoriais voltadas ao tema. “Não há enfrentamento ao assédio e à discriminação se não houver comprometimento da alta chefia com essa pauta”, declarou.
Entre os temas abordados por ela estiveram a ampliação da diversidade nos espaços de decisão, saúde mental, equidade racial e de gênero, capacitismo, desafios geracionais e o equilíbrio entre trabalho e descanso. Ela também chamou atenção para desafios estruturais enfrentados pelas mulheres no serviço público, como dupla jornada de trabalho e cuidado, estereótipos de gênero, segregação ocupacional, violência e assédio no ambiente laboral, além da baixa diversidade em cargos de liderança.
Ao tratar das denúncias de assédio, Gabriela observou que muitas vítimas deixam de denunciar por acreditarem que não haverá solução efetiva. Ela destacou ainda a situação de vulnerabilidade enfrentada por servidores deslocados para atuar em localidades distantes dos grandes centros.
Já a assessora de relacionamento do Sinditamaraty, Eliane Cesário Monteiro, que moderou o seminário, reforçou a importância de espaços de escuta, diálogo e mapeamento das causas do assédio.
Eliane destacou a relevância das negociações coletivas no enfrentamento à discriminação. “Na maioria das vezes, atrás de uma denúncia de assédio encontramos discriminação de gênero, raça, sexual, idade, religiosa e política”, afirmou.
Ao final de sua fala, a presidente relembrou as iniciativas promovidas pelo Sinditamaraty sobre o tema, e como a criação de espaços permanentes de diálogo e troca de experiências é essencial para ampliar a participação de mulheres e pessoas negras no serviço público e em posições de liderança.


