O Sinditamaraty promoveu, nesta quinta-feira (13), no Ministério das Relações Exteriores (MRE), uma programação especial em alusão ao Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
O evento reuniu servidoras e servidores para um momento de reflexão, informação e debate sobre as diferentes formas de violência contra as mulheres, os mecanismos de proteção e a importância da construção de ambientes de trabalho seguros, respeitosos e livres de assédio e discriminação.
A iniciativa contou com a participação da Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres, Estela Bezerra e do sociólogo Sandro Justo, que debateram sobre violência de gênero e os desafios para o seu enfrentamento.
A presidente do Sinditamaraty, Gabriela Perfeito, abriu o evento destacando a importância do movimento sindical não somente no sentido de se discutir salários, carreiras ou condições materiais de trabalho. Ela enfatizou não só a importância da defesa dos direitos trabalhistas, igualdade de oportunidade, condições dignas de trabalho, mas também do combate às relações de poder que possam produzir medo, silêncio e desigualdade.
“Um sindicato não existe apenas para discutir salários, carreiras ou condições materiais de trabalho. Representar trabalhadores também significa defender relações profissionais baseadas no respeito, na dignidade, na igualdade e na segurança. Combater a violência contra a mulher também é uma pauta sindical”, afirmou. A presidente ressaltou ainda o compromisso do sindicato com a promoção de ambientes de trabalho baseados no respeito, na igualdade e na valorização das mulheres.
A primeira palestra foi conduzida pela Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres do Ministério das Mulheres (SENEV/MM),
Estela Bezerra, que abordou os
desafios enfrentados pelas mulheres no Brasil e a importância de fortalecer políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência.
Durante sua fala, a secretária destacou a necessidade de ampliar a conscientização sobre os diferentes tipos de violência e de fortalecer a rede de proteção e acolhimento às mulheres. Estela apontou a iniciativa “Sala Lilás”, espaço destinado ao acolhimento e à orientação de mulheres em situação de violência e sua importância. A iniciativa busca oferecer um ambiente seguro e humanizado para que as mulheres possam ser ouvidas e encaminhadas para os serviços de proteção e atendimento disponíveis.
Estela também ressaltou a importância de uma rede de atuação conjunta entre poder público, instituições, entidades sindicais e sociedade civil para enfrentar a violência de gênero e garantir às mulheres o direito a uma vida livre de violência. Finalizou afirmando que “esse movimento não tem volta”.
Na sequência, o sociólogo Sandro Justo trouxe para o debate uma perspectiva social sobre a violência contra as mulheres, abordando os fatores culturais e estruturais que contribuem para a reprodução de comportamentos violentos e desigualdades de gênero.
Sandro explicou que o ponto de partida da narrativa red pill é fantasioso e dialoga com problemas reais. O sociólogo apontou a necessidade da construção da masculinidade, e que por muito tempo foram feitas com as bases simbólicas da misoginia que transformaram o homem fragilizado, sem saber nomear suas emoções e entender o que sente.
O sociólogo também destacou que a violência pode assumir diferentes formas e nem sempre se apresenta de maneira evidente. Situações de controle, humilhação, desqualificação, perseguição, ameaças e isolamento podem fazer parte de ciclos de violência e precisam ser reconhecidas.
O debate evidenciou que o enfrentamento à violência exige não apenas a responsabilização dos agressores, mas também ações permanentes de prevenção, educação, acolhimento e conscientização.
Para o Sinditamaraty, promover informação, diálogo e espaços de acolhimento é fundamental para contribuir com a construção de ambientes institucionais mais seguros e igualitários e manter o enfrentamento à violência contra a mulher é uma pauta permanente.
Mulheres que Movem a Diplomacia
Em parceria com o Sinditamaraty, o Comitê de Gênero do Ministério das Relações Exteriores (MRE), lançou, ao final do evento, o projeto “Mulheres que Movem a Diplomacia”, iniciativa que busca preservar a memória institucional e dar visibilidade às contribuições das mulheres na diplomacia brasileira.
O projeto pretende reunir relatos de experiências em que a atuação das mulheres foi decisiva em diferentes frentes de trabalho, como negociações diplomáticas, atendimento consular, gestão de crises, formulação de políticas públicas, acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e outras ações que impactaram a vida de indivíduos, comunidades e a atuação internacional do Brasil.
Os relatos serão enviados por meio de formulário eletrônico e poderão ser selecionados para a produção de vídeos que integrarão a divulgação institucional do MRE.


