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Sinditamaraty esclarece distorções sobre ranking de patrimônio divulgado pela imprensa e pede debate mais responsável

Sinditamaraty esclarece distorções sobre ranking de patrimônio divulgado pela imprensa e pede debate mais responsável

O Sinditamaraty vem a público esclarecer informações repercutidas na grande imprensa sobre o ranking das pessoas com maior patrimônio declarado à Receita Federal no exercício de 2025.

A forma como os dados foram apresentados induz a uma interpretação equivocada, ao utilizar manchetes como "os mais ricos do Brasil estão nos cargos mais altos do governo". Essa chamada cria uma associação indevida entre patrimônio declarado e remuneração no serviço público.

O próprio recorte dos dados evidencia essa distorção. Enquanto atribui destaque a servidores públicos com patrimônio médio declarado em torno de R$ 3,3 milhões, deixa de contextualizar que, segundo dados da própria Receita Federal, a concentração de riqueza no Brasil ocorre em outra dimensão: os maiores detentores de patrimônio no Brasil acumulam cerca de R$ 1,5 trilhão, nas mãos de 71 pessoas. Comparar essas realidades como se fossem equivalentes contribui para uma narrativa sensacionalista, sem refletir a estrutura da desigualdade patrimonial brasileira.

No caso específico da carreira diplomática, é importante esclarecer que o patrimônio declarado corresponde ao conjunto de bens e direitos informados pelos contribuintes, incluindo patrimônio adquirido ao longo da vida, bens herdados e patrimônio familiar. Esses valores não guardam relação direta com a remuneração percebida no exercício.

A remuneração dos diplomatas segue tabela remuneratória prevista para a carreira, semelhante à de outras carreiras típicas de Estado e, inclusive, inferior à de carreiras com atribuições igualmente estratégicas, como as da Auditoria da Receita Federal e da Advocacia-Geral da União. Portanto, não há fundamento para estabelecer uma relação entre a posição ocupada no ranking patrimonial e a remuneração da carreira.

Por fim, o Sinditamaraty reafirma seu compromisso com a ampliação da diversidade e da inclusão no Serviço Exterior Brasileiro. A entidade defende políticas que promovam maior democratização do acesso à carreira diplomática e às demais carreiras do serviço exterior, de modo que reflitam, cada vez mais, a diversidade da sociedade brasileira. Os avanços observados nos concursos mais recentes, incluindo a reserva de 30% das vagas para candidatos negros, demonstram que esse processo já está em curso e deve continuar sendo fortalecido.

O Sinditamaraty considera fundamental que o debate público seja pautado pela honestidade e clareza de informações.