O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Lilás, dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Em 2026, a mobilização ganha um significado ainda mais especial ao celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), um marco histórico na proteção dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero no Brasil.
Ao longo dessas duas décadas, a Lei Maria da Penha consolidou mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores, tornando-se símbolo da luta das mulheres por dignidade, igualdade e pelo direito de viver sem violência.
Embora os avanços sejam significativos, os desafios permanecem. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostram que foram registrados 741 casos de feminicídio entre janeiro e junho de 2026. O número representa uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, mas evidencia que a violência de gênero continua fazendo vítimas e reforça a necessidade de fortalecer as políticas públicas de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Nesse contexto, também ganha destaque o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo Governo Federal em 2026 em parceria com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário. A iniciativa reforça o compromisso dos Três Poderes com o enfrentamento da violência letal contra as mulheres, por meio da integração de políticas públicas voltadas à prevenção, à proteção das vítimas, ao fortalecimento da rede de atendimento, ao aperfeiçoamento das medidas protetivas e à responsabilização dos agressores.
Entre as ações que fortalecem essa rede de proteção está a expansão das Salas Lilás, espaços de acolhimento humanizado destinados ao atendimento de mulheres em situação de violência. Implantadas em delegacias, unidades periciais, hospitais e outros órgãos públicos, as Salas Lilás oferecem um ambiente reservado e seguro para a escuta qualificada, o atendimento especializado e o encaminhamento das vítimas aos serviços de assistência, contribuindo para reduzir a revitimização e ampliar o acesso à rede de proteção.
Essas iniciativas demonstram que o enfrentamento à violência contra as mulheres depende de uma atuação articulada entre os poderes públicos, as instituições e a sociedade. Mais do que responsabilizar os agressores, é fundamental investir em prevenção, acolhimento e garantia de direitos, fortalecendo políticas que assegurem proteção integral às mulheres.
Agosto Lilás no Sinditamaraty
No ambiente de trabalho, a violência contra a mulher também se manifesta por meio de práticas que comprometem a dignidade e a saúde das trabalhadoras, como o assédio moral, o assédio sexual, a discriminação de gênero, a desvalorização profissional e outras formas de violência psicológica. Enfrentar essas condutas é essencial para a construção de espaços mais seguros, inclusivos e respeitosos.
Como parte dessa mobilização, o sindicato promoverá, no dia 13 de agosto, o evento “Agosto Lilás: Conscientização e combate à violência contra a mulher”, que reunirá a jornalista Estela Bezerra e o Sociólogo Sandro Justo para debaterem sobre os impactos da masculinidade tóxica e da disseminação de discursos associados ao movimento red pill. A análise será feita sob perspectivas sociológica e governamental, e seus reflexos sobre a violência contra a mulher e as relações de gênero na sociedade contemporânea. Eles também compartilharão experiências para fortalecer a cultura de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. A participação no evento é gratuita, mediante inscrição na página do evento.
Mais do que celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha, o Agosto Lilás é um chamado à ação. É um convite para que instituições e sociedade renovem o compromisso com a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres, transformando a conscientização em atitudes concretas e permanentes de proteção, acolhimento e promoção da igualdade.
O Sinditamaraty reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com a promoção de um ambiente de trabalho livre de qualquer forma de violência, assédio ou discriminação. A entidade tem atuado na conscientização da categoria, no fortalecimento do diálogo institucional e na defesa de políticas que assegurem acolhimento, proteção e igualdade de oportunidades.


