Quando as urnas forem abertas em outubro para as Eleições 2026, brasileiras e brasileiros residentes em diferentes continentes encontrarão uma estrutura pronta para garantir o exercício da cidadania. O que muitos eleitores não veem é que essa operação começa meses antes e depende do trabalho coordenado de servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores (MRE), auxiliares locais e milhares de voluntários.
A responsável pelos assuntos eleitorais, da Divisão de Comunidades Brasileiras e Assuntos Consulares (DAC) do Itamaraty, a oficial de chancelaria Fernanda Azeredo, informou que 918,5 mil eleitores estão aptos a votar no exterior neste ano. Para atender esse público, o Brasil instalará mais de 1,2 mil urnas, distribuídas por mais de 160 locais de votação, organizados por mais de 140 postos consulares.
"A magnitude e a complexidade da operação evidenciam o caráter essencial e imprescindível da participação dos servidores do MRE, desde a sede, em Brasília, até, e principalmente, os postos no exterior", destacou Fernanda.
A realização das eleições fora do território nacional é resultado da atuação conjunta entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e o Ministério das Relações Exteriores. Enquanto a Justiça Eleitoral coordena o pleito, as embaixadas e consulados organizam toda a estrutura necessária para que as seções eleitorais funcionem.
Segundo Fernanda, esse trabalho é incorporado à rotina das representações brasileiras, sem interromper os serviços prestados diariamente à comunidade. Oficiais de chancelaria, assistentes de chancelaria, diplomatas e demais servidores do MRE, continuam desempenhando suas atividades regulares enquanto organizam uma das maiores operações logísticas do Estado fora do País.
"A organização das eleições conta com orientações detalhadas, elaboradas pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério das Relações Exteriores, além de treinamentos específicos ministrados tanto pelo TSE quanto pelo TRE-DF", explicou Fernanda.
Essa preparação permite que as representações conciliem as atividades eleitorais com o atendimento consular, a assistência a brasileiros, a emissão de documentos e a demais serviços prestados pelos postos.
Grande parte do trabalho ocorre antes mesmo do dia da votação. Os postos consulares orientam os eleitores por meio de sites, redes sociais institucionais, campanhas informativas nas sedes e consulados itinerantes, além do atendimento direto ao público.
As dúvidas mais frequentes envolvem: transferência do domicílio eleitoral para o exterior; atualização cadastral; regularização do título de eleitor; consulta ao local de votação; justificativa de ausência; documentação necessária para votar.
Segundo Fernanda, essa comunicação é essencial para garantir que o eleitor chegue à seção com todas as informações necessárias. Outro desafio da operação é reunir as equipes que atuarão nas seções eleitorais.
A mobilização ocorre tanto por iniciativa dos próprios postos consulares, que recrutam brasileiros residentes em suas jurisdições, quanto mediante solicitação da Justiça Eleitoral durante a organização do pleito. Ao todo, cerca de 6 mil mesários atuarão nas seções eleitorais instaladas no exterior.
O dia começa antes da abertura das urnas
No dia da votação, o trabalho das equipes consulares começa muito antes da chegada dos primeiros eleitores. Fernanda explica que as primeiras horas são dedicadas à conferência das seções previamente montadas, à verificação das urnas e dos materiais eleitorais e ao acolhimento de mesários e fiscais.
Durante todo o período, servidoras e servidores e agentes eleitorais convocados pela Justiça Eleitoral acompanham o funcionamento das seções e prestam suporte tanto às equipes quanto aos eleitores.
Após o encerramento da votação, as equipes executam todos os procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral para emissão dos boletins, elaboração dos relatórios e transmissão dos resultados. Paralelamente, inicia-se uma nova etapa logística.
As seções eleitorais são desmontadas, todo o material é conferido, embalado e preparado para retorno ou armazenamento, conforme as orientações vigentes e a existência ou não de segundo turno.
Para Fernanda, as eleições no exterior revelam uma dimensão muitas vezes invisível do trabalho realizado pelo Serviço Exterior Brasileiro. Além dos servidores do MRE, a operação conta com a participação dos auxiliares locais e dos voluntários da comunidade brasileira, mobilizados e coordenados pelas equipes dos postos.
"Ainda que, por vezes, seja tido como invisível, é justamente esse o trabalho do SEB que vai assegurar, em outubro próximo, que 918.500 eleitores aptos possam comparecer a mais de 1.200 urnas", afirma.
O resultado desse esforço coletivo garante que brasileiras e brasileiros espalhados pelo mundo continuem participando da vida democrática do país, mantendo vivo um dos direitos fundamentais da cidadania: o direito ao voto.