O Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) repudia, veementemente, qualquer campanha institucional e declarações à imprensa que atribuem o êxito das operações de repatriação dos brasileiros exclusivamente a uma carreira do Itamaraty.

 

É fundamental que a sociedade brasileira tenha conhecimento de que as atividades consulares nas repartições do Brasil e no mundo são, majoritariamente, exercidas por outras carreiras do Itamaraty, como os Assistentes de Chancelaria, os Oficiais de Chancelaria e os servidores que integram o Plano de Classificação de Cargos (PCC) e o Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE). Esses servidores se dedicam integralmente à assistência aos brasileiros em todo o mundo.

 

No entanto, as recentes declarações do atual secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do ministério, Fábio Mendes Marzano, que lidera o Grupo Especial de Crise para Assuntos Consulares e Migratórios (G-CON), ao jornal Zero Hora, constituem exemplo da política de invisibilizacão do trabalho de mais da metade do corpo funcional do MRE.

 

Acreditamos que toda a classe trabalhadora do Itamaraty precisa ser reconhecida e respeitada. O mínimo que se espera do ministério é que, em suas publicações oficiais ou em manifestações de servidores em posição de comando, se afirme um discurso de valorização e integração de todos os que pertencem ao patrimônio humano da política externa brasileira.

 

Assim, também, é de suma importância aplaudir todos os colegas servidores de outros órgãos envolvidos nessas operações, bem como o grupo igualmente importante e numeroso de trabalhadores contratados – terceirizados, estagiários e auxiliares locais –, que do mesmo modo contribuem para o sucesso das ações do Estado.

 

Para garantir o retorno dos brasileiros, não são poucas as pessoas que estão diretamente em plantão, de sobreaviso, concentrados nos aeroportos, nos postos e no Brasil, para garantir o atendimento aos nossos cidadãos.

 

O atual cenário de pandemia da COVID-19 reivindica das autoridades um olhar atento e um investimento de recursos financeiros e humanos para estruturar e fortalecer, em bases regulares, o serviço consular. O momento oferece a oportunidade para construir um novo modelo consular para o país, com um corpo permanente e especializado para atuar nas atividades exclusivas do setor.

 

Por fim, o Sinditamaraty continuará defendendo as políticas de integração, de construção e de defesa da identidade coletiva, de observância aos ditames constitucionais do ambiente laboral sadio, de profissionalização e de especialização do trabalho, de promoção do bem-estar e de combate a quaisquer formas de assédio ou discriminação.

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