É curioso estarmos celebrando o 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, no atual cenário de pandemia da COVID-19. Enquanto o movimento e os eventos que inspiraram esta data visavam garantir os direitos básicos e uma jornada de trabalho digna, hoje encaramos um acontecimento que nos força a reavaliar as noções de trabalho, tanto pela disseminação do coronavírus como pela evolução dos meios de trabalho e produção.

 

Neste momento, em que tantos colegas do Itamaraty são obrigados a estar em casa e, ao mesmo tempo, o nosso trabalho de apoio e proteção da comunidade brasileira no exterior é cada vez mais demandado – ainda mais em face do quadro reduzido e envelhecido de servidores –, é imprescindível levar adiante o debate sobre o que constitui a atuação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e como ela pode ser realizada. É cada vez mais óbvio que temos de reavaliar o atual modelo e começar a implementar estruturas modernas de trabalho que permitam aos colegas uma flexibilização na presença física em consulados e em embaixadas. É imperativo que a crise seja aproveitada para atualizar as políticas, os sistemas e as práticas internas do ministério.

 

Com esse intuito, nós, do Sinditamaraty, temos cobrado insistentemente da Administração do MRE que sejam garantidos aos colegas os meios para realizar o seu trabalho em segurança, seja ele a importantíssima função de repatriação dos viajantes brasileiros e da comunidade brasileira, fragilizada pelos impactos econômicos da pandemia, ou, mesmo, as rotinas diárias dos postos. Cobramos também a urgente recomposição de cargos do MRE, questão que ficou evidente com o aumento de demanda dos servidores nesta época.

 

Além disso, é impossível não louvar o comprometimento dos nossos colegas em Brasília e espalhados pelo mundo, que, mesmo sem as garantias ideais de segurança, têm trabalhado incansavelmente para auxiliar nossos consulentes neste momento tão dramático da história mundial. É a presença desses companheiros na linha de frente, em aeroportos e balcões de atendimento, em contatos com empresas aéreas, reuniões com governos estrangeiros e gestões com as autoridades estrangeiras, que possibilitou o retorno de mais de 15 mil brasileiros, em um trabalho que ainda deve continuar enquanto persistirem, globalmente, as restrições de viagem.

 

Dentro da virtual invisibilidade para a sociedade, é igualmente importante lembrar-se do sacrifício imposto pela vocação escolhida por nós aos nossos familiares, os quais enfrentam conosco a vida no exterior e acabam sendo relegados a um tópico secundário de discussão, quando deveriam ser o foco central da preocupação do MRE ao se referir à qualidade de vida do servidor.

 

Finalmente, esperamos que este feriado – em meio à comoção mundial causada pelo novo vírus, isolamento social, restrições de movimento e tantas outras preocupações – nos dê tempo de refletir sobre o Serviço Exterior Brasileiro (SEB) e as quatro carreiras que o executam, e seja incentivo para um Itamaraty mais fortalecido, modernizado e preparado para enfrentar os desafios futuros.

 

João Marcelo Melo

Presidente do Sinditamaraty

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